Em muitas famílias há uma pessoa que tira quase todas as fotografias e, por isso, quase não aparece em nenhuma. Anos depois, os filhos folheiam álbuns cheios de sorrisos, mas sem esse pai ou essa mãe. É uma falta silenciosa, e ainda bem que tem solução. Com alguns hábitos simples, quem fotografa também entra nas imagens e passa a fazer parte da história que ficou registada.
Entrar na fotografia
Pede a outra pessoa que tire fotografias, mesmo que não seja perfeita. Um avô, uma criança mais velha, um amigo, um desconhecido simpático numa viagem. Explica em poucas palavras o que queres: mostrar o rosto, apanhar o cenário atrás, fazer algumas tentativas. Não te preocupes com o resultado. Uma fotografia imperfeita contigo é melhor do que uma perfeita sem ti.
Usa o temporizador do telemóvel e apoia-o num muro, numa pedra, num banco ou numa pilha de livros. Escolhe o enquadramento, carrega no botão e corre para o lugar. Algumas tentativas serão engraçadas, com pessoas meio cortadas ou a correr, e vão fazer parte da história. Diz às crianças que é um jogo, e todos vão querer participar e ajudar.
Não tenhas vergonha de aparecer como és. Sem maquilhagem, com o cabelo desalinhado, com a roupa de casa. Uma fotografia natural transmite mais afeto do que uma pose preparada. As crianças não reparam nos defeitos que tu vês, só reparam que estás lá, a brincar com elas, a abraçá-las, a cozinhar ao lado. É isso que vão recordar.
Guarda estas fotografias numa pasta e partilha-as em família. Quando os teus filhos forem crescidos, vão ficar contentes por encontrar imagens tuas. Escreve, se quiseres, uma pequena nota por trás ou no nome do ficheiro: onde estavas e o que estavam a fazer. Quem fotografa faz parte da família, e a família precisa de te ver na história. Combina também com quem vive contigo que, de vez em quando, haverá um momento só para uma fotografia tua com os filhos, sem pressas. Basta um passeio no jardim ou um lanche na cozinha para nascer uma imagem que valerá muito daqui a alguns anos.